29 junho 2006

despedidas sem voz

A última semana tem sido deveras esquisita. Um sentimento de nostalgia me arrebatou. Ando agora pelas ruas com saudade adiantada. Já sinto saudade do cheiro de Maputo, das ruas caóticas, do frango delicioso em toda esquina, dos dias quentes, das chapas em alta velocidade.

Parece que para amplificar o sentimento, tudo tem acontecido ao mesmo tempo. Sonia (a dona da casa onde moro) está também de mudança e agora já estamos todos comendo em pratos de papel e dormindo no chão. A casa foi ficando vazia, vazia, parecia que eu nem percebia, um dia sem sofá, no outro sem TV, e quando vimos nem mais café podemos fazer. Andamos a economizar os pratos de papel e os pedaços de sabonete. Tem sido como um super acampamento entre amigos. Ora divertido, ora desconfortável. Amanhã parto para acampar no quarto de uma amiga, e quarta, enfim, Namíbia.

A nostalgia, no entanto, tem sido dolorosa. Ver tudo desmantelando-se, as famílias com as quais estive junto nestes 9 meses indo cada uma para seu rumo. As miúdas a dizer "menina, quando vamos nos ver?" (sim, às vezes chamo-me menina, somente). Aquela vontade de ter certeza de que sim, vamos nos ver ainda tanto, ainda muito. Se ao menos eu pudesse prometer minha dedicação.

As últimas noites foram tomadas de bolo de chocolate, dores de garganta (agora já estou totalmente sem voz) e eu tentando arrumar as minhas coisas no que me resta de mala. Mas, claro, não cabe tudo. O que deixo para trás? Como aprender a se desapegar das coisas, das pessoas, das lembranças? Flashbacks mal posicionados das arrumações de mala nos últimos 2 anos (só em Londres foram 3, cada uma com suas questões peculiares). Parece que já vi esse clip.

Ah, a vida dá voltas. Voltas a vida tá.

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