12 Julho 2009

e assim se passam os dias.

breve oi, beijo, tchau.

ando pegaaaada. burro de carga total. mas tchudo bem.

acabamos de concluir uma auditoria financeira do nosso trabalho (auditoria externa por bichos grandes, obviamente), de modos que agora são 4 anos nas claras, transparência total, limpeza e organização. me tomou meses da vida, me deu cabelos brancos, me quase tirou o fôlego. mas rolou. e, convenhamos, se você dirige uma ong, tem mais é que ter a cara limpa e comprovada, né não. u-hu!

uns moços muito simpáticos, carioquíssimas da gema e ainda por cima zona sules, vieram me fazer uma visita e gravar minha vida durante 4 dias. me senti o ó do borogodó, estrela, com 3 moços ao meu redor tirando foto de tudo quanto é pose e palavra, vos digo. foi uma coisa. tudo indica que estarei no GNT em breve, aviso quando (se souber de antemão, assim o espero). foi uma semana super alto astral, como se tivessêmos assim, tomando chopp no jobi.

no dia em que os cariocas foram embora, chegaram os wakefields, que é minha família australiana super querida e bacana (irmã do Michael, marido e filhotes). passamos quase 3 semanas viajando, alguns dias acampando, outros em hotéis e até mesmo numa treehouse em cima do rio okavango. te mete! maravilha total. Julia se deleitou com os primos e aprendeu que o lance é ter livros pra colorir. nos deliciamos com muitos, muitos, muitos elefantes, girafas, zebras, hipopótamos... e com uma visita inesquecível a uma comunidade San.

ni-qui wakefields se foram, voltamos a vida corrida, com seus grandes e pequenos desafios diários. é muita desaprendizagem para uma pessoa tão miúda como eu!

hoje Nampa e Kornelia voltaram para o hostel após passarem conosco o mid-term break. São do samba estas meninas... passaram todos os dias estudando, e nas noites jogamos muito Uno na beira da lareira.

e para encerrar o breve brevíssimo relato corrido e sem maiúsculas ou revisão apropriada, saiu um escrito meu numa publicação online inglesa Public Service Review: International Development, sobre "the ride of their lives", caso interesse. ;-)

agora em fotos:


minha sala virou um estúdio.

a caminho do deserto, encontramos com um simpático grupo de avestruzes.

Lucy, Michael e Julia em Sossusvlei

farra de primos


San - mulher fazendo colar

dança

Michael lançando uma flecha

amizade

fazendo fogo

our treehouse

leitura na beira do rio com tio Sime

passeio de barco por entre hipopótamos

café da manhã

saudades do babar. uma família de 14.


kiss

beijo de esquimó
wakefields and linke clans



~beijo, tchau~

07 Junho 2009

From little things big things grow

Entre posts africanos, um pouco de história australiana. Chega choro quando ouço.

From little things big things grow
Paul Kelly

Gather round people let me tell you're a story
An eight year long story of power and pride
British Lord Vestey and Vincent Lingiarri
Were opposite men on opposite sides

Vestey was fat with money and muscle
Beef was his business, broad was his door
Vincent was lean and spoke very little
He had no bank balance, hard dirt was his floor

From little things big things grow
From little things big things grow

Gurindji were working for nothing but rations
Where once they had gathered the wealth of the land
Daily the pressure got tighter and tighter
Gurindju decided they must make a stand

They picked up their swags and started off walking
At Wattie Creek they sat themselves down
Now it don't sound like much but it sure got tongues talking
Back at the homestead and then in the town

From little things big things grow
From little things big things grow

Vestey man said I'll double your wages
Seven quid a week you'll have in your hand
Vincent said uhuh we're not talking about wages
We're sitting right here till we get our land
Vestey man roared and Vestey man thundered
You don't stand the chance of a cinder in snow
Vince said if we fall others are rising

From little things big things grow
From little things big things grow

Then Vincent Lingiarri boarded an aeroplane
Landed in Sydney, big city of lights
And daily he went round softly speaking his story
To all kinds of men from all walks of life

And Vincent sat down with big politicians
This affair they told him is a matter of state
Let us sort it out, your people are hungry
Vincent said no thanks, we know how to wait

From little things big things grow
From little things big things grow

Then Vincent Lingiarri returned in an aeroplane
Back to his country once more to sit down
And he told his people let the stars keep on turning
We have friends in the south, in the cities and towns

Eight years went by, eight long years of waiting
Till one day a tall stranger appeared in the land
And he came with lawyers and he came with great ceremony
And through Vincent's fingers poured a handful of sand

From little things big things grow
From little things big things grow

That was the story of Vincent Lingairri
But this is the story of something much more
How power and privilege can not move a people
Who know where they stand and stand in the law

From little things big things grow
From little things big things grow
From little things big things grow
From little things big things grow

viagem em etapas: Buffallo

Buffallo Park é parte da zona de conservação do West Caprivi, a faixa estreita que liga o resto da Namíbia às Cataratas Vitória (Victoria Falls), aquela pontinha onde se encontram Zimbábue, Zâmbia, Angola e Botswana. Temos uma amiga morando no parque, Kami, uma voluntária que está trabalhando com as comunidades que vivem no West Caprivi. Passamos 3 dias com ela, visitando o resto da região e um dos nossos próximos projetos com Eramos e Ludwig. Foi simplesmente fantástico. Claro que rolou um certo estresse (da parte da mãe), afinal é preciso andar com cuidado para não esbarrar em hipopótamos, que vêm a noite comer graminha, kudus, que passeiam por entre o acampamento (não atacam, mas não que eu queira me deparar com um tête-à-tête, certo?), e demais bichinhos... assim... bichinhos em geral... tipo...hã... bem... em nossa visita ao parque o Michael viu uma leoa, e só então soubemos que há leões, leopardos e demais felinos na área... estive a ponto de fechar as malas e partir, porque todos sabem que combinação criança pequena e felino não rola. Decidimos ficar, no entanto, e foi só mesmo causo de atenção redobrada. Divertido, né? Se chama morar na Á-África!


mais fotos...

02 Junho 2009

"a humanidade faz a sua própria história"

o que Eric Hobsbawn espera sobre o futuro:

"Se a crise ambiental global não for controlada, e o crescimento populacional estabilizado, as perspectivas são sombrias. Mesmo se os efeitos das mudanças climáticas possam ser estabilizados, produzirão enormes problemas que já são sentidos, como a crescente competição por recursos hídricos, a desertificação nas zonas tropicais e subtropicais, e a necessidade de projetos caros de controle de inundações em regiões costeiras. Também mudarão o equilíbrio internacional em favor do hemisfério Norte, que tem largas extensões de terras árticas e subárticas passíveis de serem cultivadas e industrializadas. Do ponto de vista econômico, o centro de gravidade do mundo continuará a se mover do Oeste (América do Norte e Europa) para o Sul e o Leste asiático, mas o acúmulo de riquezas ainda possibilitará às populações das velhas regiões capitalistas um padrão de vida muito superior às dos emergentes gigantes asiáticos. A atual crise econômica global vai terminar, mas tenho dúvidas se terminará em termos sustentáveis para além de algumas décadas. Politicamente, o mundo vive uma transição desde o fim da Guerra Fria. Se tornou mais instável e perigoso, especialmente na região entre Marrocos e Índia. Um novo equilíbrio internacional entre as potências — os EUA, China, a União Européia, Índia e Brasil — presumivelmente ocorrerá, o que poderá garantir um período de relativa estabilidade econômica e política, mas isto não é para já. O que não pode ser previsto é a natureza social e política dos regimes que emergirão depois da crise. Aqui as experiências do passado não podem ser aplicadas. O historiador pode falar apenas das circunstâncias herdadas do passado. Como diz Karl Marx: a humanidade faz a sua própria história. Como a fará e com que resultados, muitas vezes inesperados, são questões que ultrapassam o poder de previsão do historiador."

Parte da entrevista dada por ele pra Revista Sem Terra, divulgada nos sites da Alê. Vai lá ler...

***

Na entrevista, Hobsbawn cita Amartya Sen, que indico aqui para quem não conhece -- seus artigos (e principalmente o livro Development as Freedom) foram, para mim, das melhores leituras que já fiz na vida. Colocou a caixola pra pensar, criar, produzir, AGIR. Acho mesmo que o "meu descobrimento" de Sen é uma das origens de muitas de minhas escolhas. Fiquei até emocionada agora ao pensar, e rapidamente o capturei na estante. Voltará para minha mesa de cabeceira, pois está na categoria tem quer ler vez ou outra, que é pra não se acomodar na vida jamais. Afinal de contas, a história já está sendo feita, e somos TODOS autores ativos.

01 Junho 2009

Minha pingüim

Acordamos cedo, nos arrumamos prontamente, café da manhã reforçado, mochilinha nas costas. Como Michael está viajando e o nosso carro pessoal ainda não está na garagem, fomos atrás de um dos taxis lotação. Julia num braço, no outro computador, bolsa e mochila. Chegamos no Little Penguins 7:30hs, a escolinha mais concorrida do pedaço (entramos na lista de espera quando a pequena estava recém-nascida). Entrei na salinha dos Waddle Ducks (a turma dos miúdos) sem saber direito o que fazer, e lá estavam as tias Jackie e Thelma. Achei que a Julia fosse chorar, ficar meio perdida, mas ela logo se inteirou com uns patinhos de plástico e eu sai de mansinho. Quem chorou foi eu, enquanto esperava por um táxi para me levar ao trabalho. Emoção pura!

30 Maio 2009

viagem em etapas: do Okavango para o Zambezi

Após um lindo pôr do sol no rio Okavango, fomos direto para o Zambezi, o 4º maior rio africano que vai do Zâmbia até Moçambique. No caminho, paramos para uma atividade literalmente debaixo de uma árvore em Singalamwe, uma vila perto da fronteira com Zâmbia. O mais gostoso das nossas viagens para o interior é carregar a Julia enquanto a gente trabalha. Ela adora, e de certa forma parece que sabe mesmo como se comportar! Em Singalamwe ela ficou brincando com terra. Em Divundu, onde estivemos no dia seguinte, ela ficou correndo atrás das galinhas e latindo para as cabras. Quando ela está cansada, se aproxega, senta no nosso colo, e fica só observando as pessoas. Super fofa. Eu e Michael amamos nossas viagens para visitar os projetos. É quando tudo tudo tudo faz um sentiiido. Às vezes no meio das conversas, a gente troca um olhar para confirmar o que o outro está sentindo/pensando, e nestas horas sabemos que não poderíamos ter feito outra escolha na vida.




mais fotos

26 Maio 2009

viagem em etapas: Okavango.


Okavango. Norte da Namíbia, o rio delimita a fronteira, do lado de lá é Angola. Um dos meus lugare preferido no país, e por onde me apaixonei na minha primeira visita, em 2006. O encontro com o grupo de voluntárias foi na igreja da vila, com a headwoman. Danças ao chegar, reza no início e no final da discussão, traduções e um português angolano de fronteira no meio do caminho para ajudar. Michael ficou de baby-sitter, mas no final das contas Julia sempre vai parar no colo de alguém.

fotos aqui.

23 Maio 2009

viagem em etapas: Grootfontein, Roy's Camp

Grootfontein fica a mais ou menos 400km de Windhoek. Geralmente, quando viajamos para as regiões no norte do país, vamos direto, cobrindo 700-1200 km de uma vez só. No entanto... com Julia... a coisa muda de jeito. Tivemos que planejar a viagem em etapas. Portanto resolvemos ficar no Roy's Camp em Grootfontein como primeira parada. Aproveitamos a manhã do dia das mães para uma deliciosa caminhada na savana. Vimos zebra e warthog, pertinho pertinho! Mais algumas fotinhos.


tomates verdes


Prometo que vou me dedicar, nos próximos dias, a colocar fotos da nossa viagem ma-ra-vi-lho-sa para o Kavango e o Caprivi. Enquanto isso, veja aí a Julia se deliciando com tomates verdes na nossa horta.

mais do mesmo no flickr

07 Maio 2009

eu, hoje.

Poucos twittes mas suficientes para me tirar ainda mais daqui. Sem culpa, ou com culpa, depende do minuto em que se sente. Amigos que vêm e vão, passam a noite com um colchão sobre o outro porque são ambos furrecas de mais. Vinhos e risotos que Michael faz, e também espagueti com mussels, tudo bom demais. E trabalho, muito, demais, exagerado. E Julia, linda e levada. Partimos pro Caprivi sábado, animada. Carregamos a barraca de acampar e demais utensílios, mas tentaremos ficar em hóteis e pousadas o quanto possível. Bem mais fácil em se tratando de viagem com a pequena. 1 semana fora. Computador agora tme 2 gb, ui. Vinho português acabou rapidamente, foram 2 taças e vapt. Também o livro do Garcia Marquez. Michael trouxe vários livros do Canadá, as coisas que andam lançando por aí mundo afora, e também um sabonete líquido da Body Shop que é tuuuudo de bom (warm amber, não vou linkar porque me dá preguiça procurar no google). Trouxe também uma bolsa inteira, inteira mesmo, umas 30 ou mais barras de chocolate. Cadbury pagou pra ele ir, imagina. Mesmo com todas as barras que damos de presente, ainda sobram muitas. Fora os chocolates e manteigas e doces de maple syrup. Dos deuses. Pecadésimo mesmo, do bom. Ando tão atarantada com trabalho, uma coisa inimaginável.

27 Abril 2009

de lua no twitter

mamãe decidiu largar de ser besta e antiquada e começar logo a postar no twitter antes que fique pra trás nos assuntos da modernidade. ela fica reclamando que, afinal, desde que cometeu orkucídio, em 2004, e eliminou os 5 e-mails extras, havia se prometido que não gastava mais tempo útil contando sobre a vida por aí. mas como ela não presta, desde então se rendeu e hoje já tá de novo com 3 blogs e o tal do twitter.

mas deixe estar... daqui a pouco ela some de novo... que esta minha mãe é de lua.

http://twitter.com/transitorios

19 Abril 2009

fim de semana de fazendinha



domingo à noite, mamãe tá cansada. mas eu até que me diverti bastante neste fim de semana!

17 Abril 2009

curropiola

acabei de me apaixonar pelos curropios, caderno lindinhos demais da conta!... se alguém quiser me dá um de presente, tô aceitando!!! é só mandar pra Po Box 23150 - Windhoek, Namibia. ;-)

entre porcas e parafusos

São 7:46 da manhã e eu tenho 2 horas pra fechar uma tradução que estou fazendo, de um manual de mecânica de bicicleta, do inglês para o português. Gente, TENHA DÓ. Não sei porque cargas d'água eu aceito estas incumbências malucas. Mas o causo é que temos uma parceria com a UNHCR (que vem a ser o Alto Comissariado da ONU para Refugiados), no campo de refugiados de Osire, que fica há uns 300km de Windhoek. O fator meio bizarro é que 76.5% dos 6.500 refugiados no campo são angolanos que há MUITO já não carecem de refúgio... O restante vêm da República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Etiópia, Libéria, Congo-Brazzaville, Ruanda, Quênia e Tanzânia. O campo foi criado em 1992, e em 1998 chegou a ter uma população de 20.000 refugiados. Fazemos parte de uma iniciativa de oferecer cursos técnicos, para aumentar a empregabilidade dos residentes (fora e dentro do campo -- o local é uma cidadela, para a qual se precisa de visto de entrada e saída).

Eu acabei aceitando a tradução (que eu mesma demandei, exxperta), porque é um manual super técnico, e seria uma chatisse achar alguém aqui com este conhecimento tão específico. Não que eu o tenha, obviamente não tenho, mas de certa forma não achei que seria tão sofrido. Além do que, uma partezinha do conteúdo eu já havia traduzido quando estava em Moçambique, pois distribuímos bicicletas para camponesas que precisavam aprender como mantê-las e consertá-las, coisa e loisa. Mas estas 26 páginas que encaro neste momento me custaaaaaram a sair. Tudo bem, saiu, e ainda por cima evitando todos os gerúndios possíveis, pois português angolano não se ouve muito gerúndio. Mas não foi mole não, entender exatamente a diferença entre um locknut e um lockring, que de certa forma são a mesma coisa (porcas de trava), uma pequena coisa que eu não sei identificar, se quer nomear, let alone traduzir para angolano.

Enquanto isso... nestes mesmos dias... eu me encontro com o Ministério de Comércio interior e estabelecemos uma parceria para um dos nossos programas de projetos de geração de renda. Me encontro também com 4 agências de desenvolvimento - americanas, espanhola, EU - para afinar projetos e financiamentos. Preparo tudo para auditoria financeira da nossa organização que acaba de começar. Preparo uma apresentação a ser feita para o Ministério da Saúde e demais agências envolvidas nos centros de teste de HIV (coordenamos uma campanha este ano para aumentar o número de testes em 17 unidades no país, e os resultados foram maior do que jamais visto nestas bandas... em algumas unidades, 614% maior, imaginem. Agora todo mundo quer replicar o modelo, obviamente).

Acho que ando deveras versátil, cheia de energia, e apenas com poucas olheiras (disfarçáveis com meu creminho da natura que já data de 7 anos).

***

Enquanto isso o maridão tá lá na neve, se deliciando com pirulito de maple syrup, dando entrevistas para TV, rádio, jornais, revistas canadenses, surtando no consumo com o qual não estamos mais acostumados (mas como não há muita bufunfa, o surto fica restrito, ufa). No lado de cá, eu e Juju estamos curtindo um momento mãe e filha. E está sendo uma delícia, ainda que cansativa a vida de mãe solteira. Quando o pai está por perto, "ela é do papai". E de preferência mamãe, não chegue perto, que meus chamegos são pro papai, e somente. Mas aí, não tendo pai por perto, ela decidiu compartilhar comigo todo seu amor e carinho e eu ando recebendo muitas cafungadas no pescoço. Tudo bem que nessa noite, o tal do dente que está a chegar (13º já) deixou a moçoila do-i-da, e passamos a noite toda acordadas, abraçadinhas entre choros e carinhos. Mas reclamar por quê, né não? Estou exausta, mas mesmo assim de bom humor. Vejam só..




13 Abril 2009

indexed para inspiração diária



indexed.
minhas doses diárias de inspiração.

Okakarara

eu e Paulina

here i am

Devagar quase parando no meu objetivo de continuar atualizando o blog! Perdões a todos, mas a vida anda cheeeeeia.

Cheia de tudo
Amor, preocupações, filha gostosa, poucas malcriações, refeições saudáveis, maridão lindão, cervejinha ou vinho, trabalho-trabalho-trabalho, poucas desilusões, alguns planejamentos financeiros mal sucedidos - outros que até que dão certo, viagens a vista.

Leituras, notícias, fotos ou "leia os outros se quiser saber de nós"
Uma dica, parcialmente em inglês, sobre nosso projeto Meninas! ou nossas Owambo girls.
Uma outra dica, esta inteiramente em inglês sobre nosso trabalho, no blog do Mark, bem bacana, "One bike, one life".

Mãe solteira or pulling myself together
Michael passará as 2 próximas semanas no Canadá. Ou seja, encaro aqui, com pouco bom humor, uma vida de mãe solteira, sem carro (numa cidade sem transporte público). Afora a questão mobilidade, isso significa também acordar cedo para uma série de tarefas infindáveis que o Michael faz sempre (com muito bom humor). Nada fácil. Mas para além disso, Michael fora significa eu sozinha comandando a tropa que temos no trabalho, e aff... eles não gostam disso não! Michael é o diplomata, eu sou a mão de ferro. Todo mundo treeeme nas bases.
Serão 2 semanas em que eu preciso pull myself together, e isso demanda muito, muito bom humor.

Agora me vou.
Hora de mamadeira e morning nap da boneca. Tudo como no script diário.

10 Abril 2009

feliz páscoa!

helicóptero


baobab walk





há 3 anos.

18 Março 2009

o tempo é como um rio

Tempo e mundo

O tempo passa, o tempo avança. No passar do tempo, passamos nós, no avançar do tempo, avança o mundo. O tempo nos contém, somos contidos – limitados e envolvidos pelo tempo. O tempo é nossa possibilidade de ser, de vir-a-ser. Mortais. Mundo. Nada é fora do tempo. Até a morte tem seu tempo de acontecer. No tempo se nasce, morre, vive-se. Passa-se, avança-se. Acompanhados de tudo, de tudo mais que também é no tempo. Tudo é no tempo. Nada é o tempo. O que é o tempo?

Dizemos: o tempo. O tempo está bonito, feio. O tempo passou rápido ou demora para passar. Vivemos todos num mesmo tempo, tudo se dá no tempo e com o tempo, afirmamos nos. E, no entanto, quem esta bonito ou feio não é o tempo, mas o céu, o ar, os ventos ou tempestades. Quem passa ou avança não é o tempo, mas nós: nós e o mundo. Vivemos aqui ou ali, numa casa, numa cidade, mas não vivemos no tempo. Quem está ao tempo não tem propriamente onde morar. Estar ao tempo é estar com todas as coisas, estar no mundo, mas simultaneamente, não está em nenhum lugar determinado, não possui nenhum teto consolidado e assegurado para se abrigar.

Esse é o tempo. Contém e transporta todas as coisas, o mundo, mas ele-mesmo não é propriamente nada, não está em lugar nenhum, não é um lugar qualquer. O tempo não é, mas contém. Não sendo um lugar, no entanto, transporta tudo que vem e que veio a ser. Contém tudo que será e o que, já não sendo mais, se retém, contido na memória (na memória do tempo, dizemos nós). O tempo transporta, transportando-se. Dizemos: o tempo é como um rio – o tempo passa e, passando, carrega e passa todas as coisas: nele tudo que chega vira passado. O tempo passa passando tudo. Mas se tempo não é, como pode “ele” passar? Se não é, como pode “ele” conter e transportar? Como pode representar, para nós o conjunto das coisas que ainda não sendo, um dia virão a ser – aquilo a que chamamos futuro?


"A experiência do nada como princípio do mundo"
Guy Van de Beuque

saudades

14 Março 2009

Minha primavera é balzaquiana

As palavras de Florbela Espanca chegaram para o aniversário e deram o tom de como sinto nesta nova etapa da vida. Há 13 dias sou balzaquiana e após um longo e árduo inferno astral, neste sábado às 1:30 da tarde, vos digo (ufa), - Estou de volta. Passou. Minha primavera é balzaquiana, e de novo tudo faz um sentido danado.

"Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
que seja a minha noite uma alvorada,
que saiba me perder... pra me encontrar..."

22 Fevereiro 2009

Aposentada

Pois é, isso aqui tá abandonado. Me desculpem. Mas este blog é apenas uma dentre outras mil coisas atualmente abandonadas na minha frente. Esta semana cogitei que talvez fosse tudo parte de um super-hiper inferno astral pré-30 anos. Mas cheguei à conclusão de que minha fé no zodíaco também anda abandonada. Conclui também que, com exceções (Michael e Julia, ufa, respiro aliviado), a sensação de ai ai começou há 6 meses... e que portanto não se encaixaria na definição clássica de inferno astral (que nem sei direito qual é ou se existe, mas no meu conhecimento revista capricho acho que é algo sobre o mês anterior ao aniversário). Portanto, me desculpem, mas por ora só restam mesmo meus aposentos. Me recolho prontamente. No dia em que acordar e tudo parecer fácil e óbvio, prometo dar notícias.

24 Novembro 2008

festa, malas, piscina, vôo e só um pouco de stress

1 ano. A festança foi no sábado. Melancia, frutas secas, pipoca, bolinhas de sabão e um bolo de joaninha que a boleira aqui se meteu a fazer (quem diria!). Fotos, fotos e mais fotos - aproveitei pra dar um upload de fotos de antes, durante e depois. Festa deliciosa, tudo do tamanho que tinha que ser, bagunça na medida certa, Julia adorou. E vários presentes, óbvio, a começar por uma motoquinha, que agora passeia pela casa toda sem parar--mas para isso demanda um pai/uma mãe com costas de ferro!

Desde ontem é um tal de arrumar mala, apertar tudo, carregar o mínimo possível (dificílimo), aquele tarefal. E daqui a algumas horas, encaramos as horas de viagem, cruzando este oceano de meu deus. Basicamente saímos de nossa casinha às 5 da tarde de segunda, e chegaremos na casa da vovó no nosso horário de uma da madruga, noite de terça pra quarta (ou 9 da noite de terça, no horário do Rio). Quer dizer, a mamãe aqui encara 32 horas de trânsito, com malas, computador, carrinho e uma pimpolha nos braços, sozinha. Oxalá meu rei, tudo será tranquilo, o que não dá é pra sofrer por antecedência (sou chegada). Conto quando estiver no aconchego de um caldinho de feijão. Por ora, se deliciem com fotinhos de minha belezura, e se preparem para agarros e chopps e tals na cidade maravilhosa.
Fui!
...ou melhor...
Fomos!

05 Novembro 2008

Obama

7:14 da manhã. Ligo o computador às pressas - corro pro jardim e berro pro Michael, que molha as plantas, "Obama won!!". Ainda que cética quanto a profundas mudanças. Ainda que ciente do pepino que o senhor Obama enfrentará com uma país em ruína econômica... ver os EUA elegerem um presidente negro me deixa extremamente feliz. (foto CNN)

24 Outubro 2008

let's bike. in Africa.

Para quem não sabe (alguém?) eu e o Michael dirigimos uma organização não-governamental chamada Bicycling Empowerment Network Namibia (BEN Namibia). Nossa missão é empoderar namibianos através da distribuição de bicicletas como meio de transporte sustentável, acessível. Mas só estou contando isso porque acabei de ver um vídeo legal sobre a Afribike, um projeto iniciado em 1999 em Johanesburgo e que depois foi absorvido pelo Ministério dos Transportes do governo sul africano como projeto Shova Kalula. Infelizmente o projeto não expandiu muito para outras áreas, mas ainda assim foi uma experiência importante e que muito ensinou outras iniciativas no continente--como nós. Pra quem se interessar, o videozinho é bacana, informativo, dá uma idéia do que eu penso e respiro diariamente, é cheio de imagens truly african, e tem uma trilha sonora bem típica. Vale os 7 minutos.

23 Outubro 2008

Recordar é viver

(ou parece que surtei mas estou sóbria e comendo quinoa)

Eu fico imaginando a garota descendo os boulevares parisienses nas rodinhas, imaginação tal e tão detalhada que me pego pensando se os cabelos estavam presos pra trás, se tinha capacete, se levava os óculos na cara, se sorria, como decidia em que rua virar, se tinha joelheiras, e como era que o vento lhe inspirava. Imaginá-la assim me leva a uma série de pensamentos (aparentemente desarticulados) sobre minha vida. Fico com vontade de ouvir Franz Ferdinand. "So Eleanor take a Greenpoint three-point turn / Towards the hidden sun / You know you are so elegant when you run / Oh if you run / You can run to that statue with the dictionary / Climb to her fingernail and / Leap, yeah take an atmospheric leap / Let the jet stream set you down / I could be there when you land". Não acho o CD, fico desapontada, e na falta de alternativa escolho Nina Simone. E penso ah, Nina é Nina, então vale, pois essa foi minha segunda ida à Paris, num fim de semana exprimido entre estudos e surtos londrinos. Era eu e Nina e nosso encontro no Pompidou. Aí lembro de como torci o pé andando nos boulevares onde, hoje, a garota roda, e que continuei andando mesmo assim pois o tempo era curto, e a vida intensa. Estávamos a caminho da Pont Neuf, por volta das 5 da tarde, rumo ao pôr do sol com vinho. Éramos 4. E quando Paris já era noite, voltamos a andar, pé torcido, crepe de nutella, bares, discussões sobre democracia racial no Brasil. Mais que um bar--dois ou três?--mais que uma discussão, éramos quatro e meu pé terrivelmente torcido. E no lembrar veio também a primeira Paris, não menos especial, mas tão diferente. O hotelzinho no quartier do Monsieur. O descobrir a pele cabeluda da Olympia. O abraço de mãe quando a vida se tornava tão desafiadora. Duas Parises, duas Clarisses--nenhuma delas mais existente. Mas aí, tem Nina Simone tocando no fundo, o que me faz voltar à realidade. Com seu "Ain't got no / I got life" me lembro do vôo Rio-Maputo. Minha primeira viagem à Moçambique. As malas cheias, um contrato, a vida toda pela frente, o restante deixado para mofar em caixas. Sem compromissos com outros, mas absolutamente compromissada comigo mesma. Com meu achar. O "eu quero página nova parede branca disco formatado" que um dia o Tiagón me imprimiu. Palavras registradas em cadernos e cortiças. Querer que me levava à tal da África, tão distante de Rio-Londres-Paris-Turquia. E no vôo da South African Airways, tinha uma estação de rádio Nina Simone. Não chamava blues, soul, jazz ou qualquer outra possibilidade. Era Nina Simone "somente" e ela cantava, entre outras pérolas, "I got life, I got my freedom, I got life". Sorriso quase lágrimas, no momento e no lembrar. No agora. Escrevo rapidamente, enquanto o desenrolar ainda me pertence, upload. E assim termino meu recordar é viver desta noite de quinta-feira, 23 de outubro. Julia dorme, cachorros latem, chove a primeira chuva do ano. Tudo dentro de um cozinhar de creme de quinoa com milho. I got life.

Ain't got no / I got life
Nina Simone

I ain't got no home, ain't got no shoes
Ain't got no money, Ain't got no class
Ain't got no skirt, Ain't got no sweater
Ain't got no perfume Ain't got no bed
Ain't got no mine,

Ain't got no mother Ain't got no father
Ain't got no friends, aint got no schoolin'
Ain't got no love, Ain't got no name
Ain't got no ticket, Ain't got no culture
Ain't got no god

and what have i got
why am i alive anyway
yeah what have i got
nobody can take away...

Got my hair. Got my head
Got my brains, Got my ears
Got my eyes, Got my nose
Got my mouth, I got my smile
I got my tongue, Got my chin
Got my neck, Got my boobies
Got my heart, Got my soul
Got my back, I got my sex

I got my arms, my hands, my fingers,
my legs, my feet, my toes,
and my liver, got my blood..

I got life,
i got my freedom
i got life

I got my life, and i'm gonna keep it
i got my life, and im gonna keep it

19 Outubro 2008

abafou

Esquentou, abafou, espero as chuvas ansiosamente. Rapidamente subimos os aquecedores e baixamos os ventiladores. Abrimos a piscina e não nos importamos em nada com a sujeirinha no fundo. Janelas escancaradas, Julia só de fralda e singlet.

Passo o dia ouvindo CDs de música namibiana, ótimas surpresas. Semana de muito trabalho e amigos entrando e saindo de casa, jantares e cervejas, não sei muito bem como isso foi acontecer. Haja vassoura atrás de porta. Mas me comporto. Michael se prepara para viajar de novo, e eu me preparo para a semana que se aproxima. Tipo vida de mãe solteira, sinônimo de perrengue.

Hoje gastei meu último tostão do mês (já!) no livro "What to expect - toddler years", seguindo a série "What to expect when you are expecting" e "What to expect - first year". Foram minhas bíblias até agora, e me animo folheando o livrão novo.

Julia agora é oficialmente mobile. Compramos ontem portãozinho pra porta do quarto dela, e colocamos rapidamente após uns 3 quase-acidentes. Tudo rápido demais, haja coração de mãe.

Há 5 semanas de nossa super mega longa viagem ao Brasil. Aêê!


15 Outubro 2008

a tandem do ano

Nem vou me repetir sobre o quanto ando cansada, pois me canso de mim mesma. Segunda-feira fizemos 1 ano de casados, gastamos um tutu num restaurante chinês metido a besta mas nem tão bom. Foi divertido mesmo assim. Mas o legal mesmo é que no domingo pedalamos na Cycle Classic e--PASME--ganhamos em 1º lugar na categoria tandem (aquela bicileta de dois lugares)! Eu poderia esconder o fato de que fizemos apenas 30km, mas honestamente nossa tandem além de ser marcha simples é um modelo velho que não tem nem como dar idade. A bicha é pesada que só vendo. Haja pernas! Portanto eu não teria cacique pra fazer 65km, nem sequer imagino cruzar 100km naquela relíquia. 30km foi lindo, e no final ainda saímos com medalhinha. E pernas cansadas. Foi uma linda comemoração deste 1 ano que se passou.

On another note--
Porque eu estou assim cheia de tempo nas mãos (existe este modo de falar?), resolvi fazer um blog sobre as aventuras em nossa babel particular (foi mais ou menos assim que alguém a denominou recentemente). Bicicleta-Bicycle-Basikela. Raising a baby in Portuguese, English and Oshivambo (for now). Já há algum tempo venho pesquisando como é lidar com mais de uma língua em casa. Primeiro porque inglês é a língua predominante (que eu e Michael falamos entre nós, língua oficial da Namíbia, será língua da escola), segundo porque tem uma terceira língua em jogo (Oshiwambo, que é língua da Maria), terceiro porque pro português vingar, a batata quente tem que ser descascada por mim mesma, solita. A Maria fala inglês, mas não muito bem, e de certo modo achamos que poderia ser bom pra Julia aprender uma língua que é tão absurdamente diferente das latinas ou anglo-saxônicas. A lógica é que pode lhe dar uma outra forma de estruturar o pensamento, e isso soa interessante. Mas enfim, como eu sou meio ansiosa (ah jura!), tome pesquisa. Me deparei com bastante food for thought, mas o mais legal foram os blogs de famílias que estão em situações semelhantes--ou muito mais complexas. Achei o maior barato a idéia de registrar o desenvolvimento linguístico de um bebê bi/tri/multilíngue (acho que a trema caiu, certo?). Nos blogs que ando lendo há pérolas fantásticas.

Ainda que esteja um pouco cedo, tenho percebido que já há coisas pra registrar, retalhos que com certeza no futuro farão sentido (Por ora são apenas corujisse de mãe -- mas hão de fazer sentido!). Então aí está: o blog. Vejamos se consigo atualizar. Optei em fazer
em inglês apesar de não ser uma decisão assim tão fácil--afinal, estarei me expondo com todos os meus artigos mal colocados, verbos mal conjugados, e sentenças que não fazem o menor sentido. Mas o fato é que como "pesquisa aplicada", achei que seria mais útil estar em inglês, pois assim me possibilita trocar experiências com outras pessoas que vivem a mesma situação, mas em línguas/países/culturas diferentes. O inglês tá muito mais pra língua franca do que nosso portuga... de modos que... não se chateie. ;-) Se quiser ler (e dar pitacos), fique à vontade. Está sendo legal.

09 Outubro 2008

...eu sou assim...

Quinta-feira à noite. Quero escrever no blog, não quero, quero, não quero, abro o dashboard, começo, apago, aí preguiça. Aí vai. Tinha que estar finalizando um artigo para uma revista daqui da Namíbia. Finalizando nada, minto. Tinha que estar começando. Até agora é apenas um copy-and-paste daqueles clássicos (pelo menos é plágio de mim mesma), mas eu estou é cansada. O artigo sobre políticas de transporte na área de saúde, já nem sei mesmo o que quero dizer, sabe quando a gente perde o argumento? Pois é, perdi e estou aqui dando três pulinhos. Haja pulinho. A revista é legal, chama-se Insight, tipo uma Economist bastante crítica do governo daqui, fala de políticas e política, economia, etc. Não sei qual é a equivalente no Brasil. Não sei mais muito do Brasil e sim, fico com vergonha, portanto mudemos de assunto. O computador aberto enquanto eu cozinho pra Julia, falo no messenger com minha irmã há milhas e milhas de distância (outra exaurida), e respondo e-mails de trabalho. Michael viajou hoje, de novo, e eu só mesmo pensando no churrascão que faremos no sábado aqui em casa. Adoro tomar estas decisões, de convidar gente pra nossa casa, mas na hora h, fico sempre com preguiça e pensando em colocar vassoura atrás da porta, que é pras pessoas irem embora logo. Julia com seu terceiro dente despontando. Hoje vi um nenêm, no vizinho do trabalho, 2 semanas mais velho do que a Julia. O guri já tinha 8 dentes e andava. Grandão. A Julia nem sequer engatinha, se arrasta, e só agora está na direção de engatinhar. Mas ela tenta, e tenta, e assim vamos. O que não a deixa por menos. Conversa, aponta pra tudo. Tá nesta fase de apontar (fase?). Bate palminhas, dá tchauzinho, vira a cabecinha de lado e põe a língua de fora sempre que quer tirar uma risada alheia. Adora ler livros, passar a mão nos desenhos, e colocar o dedo em tudo que é buraquinho (a gente tem vários livros com buraquinho). E se a gente pergunta onde é o olho?, ela põe o dedo no nariz. Mas o detalhe: ela responde assim quando perguntamos em inglês E em português. O que ela mais ama no momento são aviões. Mesmo quando estamos dentro de casa e ela não consegue ver. Se um avião passa, ela pára o que tiver fazendo, fica séria e olha pra gente. Aí a gente fala "é o a-vi-ão", aí ela aponta pra cima. Como tem um aeroporto nas redondenzas, imaginem isso acontecendo muitas, muitas vezes no dia. Sempre a mesma rotina. Na natação, ela nada totalmente debaixo d'água, dá 4 digamos "braçadas" sozinha, soltinha na água. E quando colocamos na beirada, estica os braços pra frente e se joga na água. E eu fico assim, achando ela o má-xi-mo, pagando este mico de descrever tudo, só porque é um orgulho extremo. Mas é mesmo incrível isso, de como cada bebê tem seu ritmo, e como nós mães (ok, digo por mim) conseguimos entrar na neura mesmo assim. Filho é algo de inexplicável mesmo, muito amor, muito intenso, muito pleno. Tudo toma um sentido diferente na vida. E sim, isso é o óbvio. Mas eu sou óbvia, e falar o óbvio é muito bom. Dá um sentido danado. No trabalho agora temos 3 pessoas novas. Olha nem dá pra explicar o que se passa no trabalho. É tanta coisa, um redemoinho. Ou mais do que isso. Honestamente acho que nunca trabalhei tanto na minha, de modos que quem me conhece de outros carnavais terá uma idéia do nível do redemoinho. Estou um trapo, exausta, detonada, mas sigo no meu papel super-mãe, super- profissional e ainda super-esposa, quem diria. Sim, falta tempo pra depilar, cortar o cabelo, cortar as unhas (fazer unhas então, nem se fala), escrever no blog, lembrar de aniversários. No momento, me empenho em: me dedicar à Julia o máximo possível. Dirigir uma organização que cresce na velocidade da luz (eu e maridón estamos trocando papéis no trabalho, e não é que acabei nesta função de chefa-major, mega estressada e descabelada dirigindo tudo? Ele anda agora de consultor pelo mundo afora: chique esse homem, ferrada eu!). Pedalar pra o trabalho praticamente todos os dias. Acordar todo dia antes da 6hs que é pra curtir a manhã com os cachorros, o jardim, o marido e a filha antes de encarar o batentão. Ah sim, e organizar a vida das tais duas adolescentes que comentei num post anterior, que em janeiro se mudarão para Windhoek. Estamos batalhando 2 bolsas para elas numa escola privada daqui (e vai rolar!). Mas isso é papo pra outro dias, que afinal hoje basta. Então, sabe, genteeeeem. É tudo assim, um esforço diário e conquistado a cada dia. Um, dois, três leões por dia. E no dia que não tem leão, me viro com rinoceronte, elefante, tô encarando o que aparecer. E nos dias que não rola... me recolho aos meus aposentos. Por isso que eu às vezes choro um pouquinho quando estou voltando pra casa e tem um sol se pondo. Não choro de tristeza, ou porque o sol se põe, afinal isso acontece todo dia. Não sei porque choro, mas às vezes a gente é assim, chora, e isso é bom. Dou berros quando um carro me tira um fino, e xingo palavrões em inglês, mas tudo bem porque ninguém ouve. Mas pedalo, porque aí vou deixando tudo, toda a tensão por aí, nas ruas da vida, e chego em casa suada, mas feliz. Agora o que me irrita, sabe, é como eu sou uma arapuca em pessoa. Caio nas minhas próprias armadilhas. Veja bem, navego na internet, nos blogs e flickrs e emails da vida, e aí invejo, mas invejo mesmo minhas amigas ou as que são desconhecidas mas que acompanho de certa forma. Invejo no pequeno, sabe, porque sempre me parece que são tão lindas, descoladas, de unhas feitas, sem barriga, bem resolvidas, bem vestidas, magra, inteligentes, bem amadas, ricas, bem sucedidas, articuladas, informadas, felizes, sorridentes. Mesmo sabendo que outras pensam algumas coisas assim de mim, porque afinal a grama do outro é sempre mais verde e todo mundo é chegado numa self-arapuca. Mas ainda assim, eu invejo num ponto de quase sofrer, nuns dias mais, noutros menos. Invejo e vou lá, lavar louça e remoer minha amargura, como se fosse uma mártire, pobre coitada, óh. Fico resmungando até que o Mike chega e me salva. Porque sim, o Mike sempre chega e me salva. Aí eu penso oxalá meu rei, esse moço é uma coisa de tirar suspiro, de dar arrepio, de apertar de beijos, de salvação. E é meu marido. Bom, né? Ando digna do meu amado Almodóvar. Uma verdadeira mujer al borde... Teatro, la vida es puro teatro, falsedad bien ensayada, estudiado simulacro. A-do-ro. Agora são 22:45hs e eu me prometi que já estaria na cama nesta hora. Mas ainda tenho que terminar o papel de cozinheira. E como eu não ia escrever no blog porque não tinha tempo, eu acho que agora preciso de fato partir. Vai entrar no ar assim mesmo, num suspiro só, ou num espirro só, sem revisão, sem edição, sem tempo ou vontade de medir palavras ou grau de exposição. Eu sou assim, quem quiser gostar de mim, eu sou assim.